(post original de julho/2006)
jards anet da silva, carioca da tijuca, nasceu a 3 de março de 1943 ao pé do morro da formiga, rodeado de música por todos os lados. ganhou o apelido que o acompanha até hoje - macalé - em homenagem ao pior jogador do botafogo na época, devido ao seu inexistente talento para o futebol. em compensação, o que sempre lhe faltou com a pelota farta quando o assunto é música.
aprendeu violão ainda moleque e aos 16 anos participou do conjunto seis no balanço, que tocava jazz, seresta, samba-canção até altas madrugadas. macalé fazia alguns arranjos e começou a compor. duda, um de seus primeiros parceiros, conhecia torquato neto, que conhecia jota piauiense, que conhecia caetano veloso, que ficou sabendo dos seis no balanço e os visitou no ensaio, num dia de 1962. foi o suficiente para a amizade criar a ponte rio/bahia, por onde viajavam as informações.
o começo oficial de sua carreira deu-se em 1965, quando substituiu roberto nascimento no violão junto ao
grupo opinião. depois veio
arena conta bahia. em 66 fez a direção musical do
recital, de bethânia, no rio. foram muitos espetáculos e macalé ao fundo, com seu violão, sua cara de menino sério e tímido. em 67 o tropicalismo começava a se caracterizar e macalé se decidia pelo estudo de música: piano, orquestração, violoncelo, análise musical, violão, composição. acompanhou de perto o desenvolvimento do tropicalismo, mas nunca assumiu uma postura rotulada.
em 68 começou a compor ao lado de capinam e foi ganhando o gosto de cantar. todo o movimento pop, sobretudo os beatles e jimi hendrix, havia contribuído para modificações em sua estrutura musical. estreou no cinema, compondo musicas sobre textos de mário de andrade para o filme
macunaíma, de joaquim pedro de andrade e participou da trilha sonora de
o dragão da maldade contra o santo guerreiro, de glauber rocha.
1969 foi um ano marcante. macalé participou do
iv festival internacional da canção, numa teatral apresentação do rock
gotham city, com a qual foi clamorosamente vaiado. depois do fic, junto com gal costa, paulinho da viola e capinam, criou a tropicarte, para produzir e empresariar os próprios espetáculos - outro fracasso. no mesmo ano, macalé gravou pela rge o compacto duplo
só morto, pessimamente mixado e muito mal distribuído. apesar das experiências malogradas, foi ainda nesse ano que macalé trabalhou com gal na gravação de
le-gal e fez o show
meu nome é gal, na boate sucata, viajando depois pelo brasil. o garoto tímido já não era mais o cara do fundo do palco.
em 70, macalé se mandou para londres, atendendo a um chamado do amigo caetano. foi um período rico em trabalhos e troca de influências. brasileiros dando concerto em cima de caminhão no queen elisabeth music hall. shows em amsterdã, paris, zurique. caetano estava lá, mas não queria estar, e quando macalé chegou levando o pique, agitou, mobilizou. lá, distante do brasil, não tinha inquérito cultural nem tomada de posição.
quase um ano depois, estava de volta, com sede de brasil. com novos shows, macalé decidiu ser também ele veículo de seu trabalho, até então conhecido na voz de gal, bethânia, clara nunes, entre outras. propôs a guilherme araújo a gravação de um lp solo, e o resultado foi
jards macalé, lançado pela philips em 1972, um disco-relato de sua constante busca, de sua curiosidade natural, um registro de suas composições entre 1969/1971. houve problemas de toda espécie, inclusive com a censura:
revendo amigos, com letra de waly salomão, foi barrada doze vezes!
esse primeiro lp apresenta músicas de seus principais parceiros (capinam, waly, torquato), que continuariam presentes nos discos seguintes. teve produção simples, econômica, com lanny no violão e contrabaixo e tutti moreno na bateria. considerado um dos melhores do ano pela crítica,
jards macalé logo virou preciosidade, pois foi retirado de catálogo. nele predomina um clima triste, onde passam blues, samba-canção, rock e mesmo algo de bolero. macalé canta seccionando as palavras de tal forma que adquirem a dimensão do inusitado.
é essa raridade que o mercado traz hoje.
clique aqui para fazer o download e delicie-se com o que há de melhor na nossa música popular!
link alternativo:
mediafire(links atualizados em
29/01/2008)
jards macalé [1972]:1) farinha do desprezo (capinan e jards macalé)
2) revendo amigos (jards macalé e waly salomão)
3) mal secreto (jards macalé e waly salomão)
4) 78 rotações (capinan e jards macalé)
5) movimento dos barcos (capinan e jards macalé)
6) meu amor me agarra & geme & treme & chora & mata (capinan e jards macalé)
7) let's play that (jards macalé e torquato neto)
8) farrapo humano (luiz melodia)
9) a morte (gilberto gil)
10) hotel das estrelas (duda e jards macalé)
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para saber mais sobre a história desse genial artista, visite
seu site oficial, de onde foi adaptado a maior parte do texto acima.
(thanks to joca, pela dica e as imagens do lp que acompanham o arquivo)